quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Diamonds in Shit.

My generation's for sale,
Beats a steady job.
How much have you got?
My generation don't trust no one,
Its hard to blame,
Not even ourselves.
The thing that's real for us is: fortune and fame,
All the rest seems like work.
Its just like Diamonds
In shit.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Era um dia quente de março quando Henrique adentrou pela primeira vez as portas do inferno. Um Inferno que, uma hora ou outra, ele teria de entrar de qualquer maneira, muito porém, aquela manhã abafada, aquele suor azedo, aquele sono e aquele ônibus lotado conseguiram tornar tudo muito pior.
Um tanto exitante, ele aperta o interfone pela primeira vez, e pela primeira vez escuta a voz do demônio. Ironicamente, ela é fina e anasalada:
-Quem é?
-Henrique.
-Entra ai Henrique
Ai estava. Sem porteiro, sem Cérbero o cão de três cabeças, sem cadáveres flamejantes, sem gritos dilacerados. O inferno é na verdade um modesto cômodo, no terceiro andar de um modesto prédio do Bom Fim.



domingo, 27 de dezembro de 2009

Fingolfin

Faz muito tempo que não posto nada, resolvi então postar a história de Fingolfin, na minha opinião, o maior dentre todos os heróis da mitologia de Tolkien.

A luta contra Morgoth:




Ora, chegaram notícias a Hithlum de que Dorthonion estava perdida, os filhos de Finarfin, derrotados, e os filhos de Fëanor, expulsos de suas terras. Fingolfin então contemplou (como lhe parecia) a total destruição dos noldor, e a derrota irremediável de todas as suas casas. E, cheio de cólera e desespero, montou em Rochallor, seu cavalo magnífico, e partiu sozinho, sem que ninguém
pudesse contê-lo. Passou por Dor-nu-Fauglith como um vento em meio à poeira; e todos os que viram sua investida fugiram assustados, acreditando que o próprio Oromë chegara. Pois ele fora
dominado por uma loucura furiosa, tal que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim, chegou sozinho aos portões de Angband, fez soar sua trompa e golpeou mais uma vez as portas de
bronze, desafiando Morgoth a se apresentar para um combate homem a homem. E Morgoth veio.
Essa foi a última vez naquelas guerras em que ele atravessou as portas de seu reduto; e o que se diz é que não aceitou o desafio de bom grado.
Pois, embora seu poder fosse maior que tudo o que existe no mundo, ele era o único dos Valar que conhecia o medo. Agora, porém, não podia fugir ao desafio diante de seus capitães. Pois as rochas
reverberavam com a música aguda da trompa de Fingolfin, sua voz chegava clara e nítida às profundezas de Angband, e Fingolfin chamava Morgoth de covarde e de senhor de escravos. Por
isso, Morgoth veio, subindo lentamente de seu trono subterrâneo, e o ruído de seus passos era como trovões no seio da terra. E se apresentou trajando uma armadura negra.
Parou diante do Rei como uma torre, com sua coroa de ferro. E seu enorme escudo, negro sem brasão, lançava uma sombra como uma nuvem de tempestade. Fingolfin, entretanto, cintilava dentro
da sombra como uma estrela; pois sua malha era recoberta de prata, e seu escudo azul era engastado com cristais. E ele sacou sua espada Ringil, que refulgia como o gelo.
Morgoth então ergueu bem alto Grond, o Martelo do Mundo Subterrâneo, e o fez baixar como um raio. Fingolfin, porém, deu um salto para o lado, e Grond abriu um tremendo buraco na terra, de
onde jorraram fumaça e fogo. Muitas vezes Morgoth tentou esmagá-la, e a cada vez Fingolfin escapava com um salto, como o relâmpago que sai de uma nuvem escura. E fez sete ferimentos em
Morgoth; e sete vezes Morgoth deu um grito de agonia, com o que os exércitos de Angband se prostraram no chão, aflitos, e os gritos ecoaram pelas terras do norte.
Mas, por fim, o Rei se cansou, e Morgoth o empurrou para baixo com o escudo. Três vezes, Fingolfin foi esmagado até se ajoelhar, e três vezes ele se levantou portando seu escudo quebrado e
seu elmo amassado. Entretanto, a terra estava toda esburacada e rasgada ao seu redor, e ele tropeçou e caiu para trás aos pés de Morgoth. E Morgoth pôs o pé esquerdo sobre o pescoço de Fingolfin; e o peso era o de uma colina desmoronando. Contudo, num golpe final e desesperado, Fingolfin lhe cortou o pé com Ringil, e o sangue jorrou negro e fumegante, enchendo os buracos feitos por
Grond. Assim morreu Fingolfin, Rei Supremo dos noldor, o mais altivo e destemido dos Reis élficos de outrora. Os orcs não se vangloriaram desse duelo junto aos portões. Nem os elfos cantam
esse feito, pois é por demais profunda sua dor.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Escrever por escrever.



Já era madrugada quando Romero entrou naquele crépido bar do subúrbio. Ele abriu a porta, viu a fumaça, inalou o fedor, o bar estava vazio, poucas pessoas, o que precisava, estivera estranho o dia inteiro, queria ir ao fundo do poço e o encontrou.
Ele acordara diferente. A morte é tão visível quanto qualquer coisa, não se vê por medo, não se vê, pois só a vemos uma vez na vida e por período curto demais para entendê-la, mas se sente, se acorda diferente, percebe-se na pele quando os tênues laços que prendem a vida começam a se soltar e, ao desfazer do último nó, o acorde final é inconfundível. Antes de morrer nós inexoravelmente tomamos consciência disso, eis aí a maior punição divina, saber da morte e entender exatamente o que isso significa.
-Uma cerveja com wisky – disse Romero cabisbaixo.
Nesse momento, uma figura encapuzada que havia passado despercebida pela maioria dos bêbados daquele bar imundo se levantou calmamente e olhou fundo nos olhos de Romero.
-Lembra de mim? - Disse o homem com a calma de quem parece não ter nada a perder.
Sem mais delongas e com enorme agilidade, o estranho acerta um tiro certeiro no peito de seu oponente que imediatamente cai sob balcão. Já morto.
Ouve-se o som do sangue pingando no chão, o resto é silêncio. Os bêbados do subúrbio respondem ao horror com silêncio e nada mais. Em suas sub vidas regadas a vícios não há mais espaço para compaixão ou histeria, somente silêncio. Todos olham para baixo, o sangue pinga e agora se ouve os passos do homem que sai do bar com a mesma calma com que se levantara.
Tenho um corpo para me livrar, pensa o dono da espelunca de traz do balcão, mas essa noite ficará aí mesmo, amanhã te dou aos corvos.
A noite continua, os bêbados bebem, os viciados fumam crack, os travestis se prostituem, mas hoje em silêncio, o cheiro de morte ainda é novo no ar.
Distante de lá, ao leste do trevo 89, uma mulher ri e chora ao mesmo tempo, como fazem as loucas ao se depararem com trágicas ironias.
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O trevo 89 era de fato um lugar tenebroso, conhecido por todos os homens de má índole em um raio de cem quilômetros, era chamado de deposito de corpos. Unia três estradas de chão batido, ao lado de um lago onde desembocava boa parte do lixo da metrópole. Gente também é lixo, pensava o burguês enquanto preparava uma boa refeição.
Longe dos olhos da opinião pública e da pseudo compaixão social, o trevo 89 era o lugar perfeito para abrigar os dejetos da colméia. O importante é o lixo sair da frente da classe A/B, não estando lá, não existe. Para um problema deixar de existir, basta que ele vire o problema dos outros.

domingo, 2 de agosto de 2009

São sete e vinte da manhã e eu ainda não dormi, o porquê de eu resolver escrever um poema, eu realmente não me lembro, mas quando - a uns 20 minutos atrás - eu resolvi que o faria, a idéia me pareceu deveras interessante, enfim, saiu essa merda. Porque eu postei? Não sei também.


Tentando penetrar surdamente no reino das palavras
Percebi também ser cego
Caído de ego ferido
Deferi palavra qualquer
Sem métrica ou sentido
Tateando no escuro
Procurei mas não achei
As palavras me barraram
A chave não encontrei
Na soleira do portal
Vi a borda de seu reino

Perene, frio e confuso

Na fronteira de suas terras
Lá vencido cai
Sob os umbrais de seu reinado
Para eu mesmo prometi
Voltaria lá um dia
E teria de entrar
Caçaria as palavras
Até as certas encontrar.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O mundo.

Seria muita pretensão e burrice de minha parte dizer que conheço o mundo, porém, após vinte anos de existência, me sinto contente ao afirmar que já me perdi tanto nos becos de Veneza quanto nas avenidas de Nova Iorque, que meus olhos já contemplaram a genialidade exposta nua em telas, que minhas mãos já tocaram tanto os muros ancestrais de minha linhagem quanto os das gigantescas fortificações de civilizações perdidas, que minhas pernas já escalaram montanhas em cujos cumes se escondem segredos, que minha boca já provou da culinária de hábeis e tão distintas mãos, vi impérios em seu apogeu, vi impérios decaídos porém ainda orgulhosos, vi impérios de outrora dos quais hoje só restam escombros, descobri que todos somos tão diferentemente iguais e mais que tudo isso, vi que ainda há muito para ver.