São sete e vinte da manhã e eu ainda não dormi, o porquê de eu resolver escrever um poema, eu realmente não me lembro, mas quando - a uns 20 minutos atrás - eu resolvi que o faria, a idéia me pareceu deveras interessante, enfim, saiu essa merda. Porque eu postei? Não sei também.
Tentando penetrar surdamente no reino das palavras
Percebi também ser cego
Caído de ego ferido
Deferi palavra qualquer
Sem métrica ou sentido
Tateando no escuro
Procurei mas não achei
As palavras me barraram
A chave não encontrei
Na soleira do portal
Vi a borda de seu reino
Perene, frio e confuso
Na fronteira de suas terras
Lá vencido cai
Sob os umbrais de seu reinado
Para eu mesmo prometi
Voltaria lá um dia
E teria de entrar
Caçaria as palavras
Até as certas encontrar.
domingo, 2 de agosto de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
O mundo.
Seria muita pretensão e burrice de minha parte dizer que conheço o mundo, porém, após vinte anos de existência, me sinto contente ao afirmar que já me perdi tanto nos becos de Veneza quanto nas avenidas de Nova Iorque, que meus olhos já contemplaram a genialidade exposta nua em telas, que minhas mãos já tocaram tanto os muros ancestrais de minha linhagem quanto os das gigantescas fortificações de civilizações perdidas, que minhas pernas já escalaram montanhas em cujos cumes se escondem segredos, que minha boca já provou da culinária de hábeis e tão distintas mãos, vi impérios em seu apogeu, vi impérios decaídos porém ainda orgulhosos, vi impérios de outrora dos quais hoje só restam escombros, descobri que todos somos tão diferentemente iguais e mais que tudo isso, vi que ainda há muito para ver.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sonho
Estava onde sempre fico, embaixo da última barra da geral em direção a arquibancada, eram trinta do segundo tempo, 0 a 0 e o Maxi havia sido expulso injustamente. A torcida, que havia cantado muito o tempo todo, agora se via fadigada, inquieta, imóvel, assistindo a agonia do Grêmio em campo. Era tarde de mais e tarde de mais era pior do que nunca! Talvez o Cruzeiro marcasse um gol, talvez todos nos nos calássemos e furtivamente voltássemos para casa ao som das cornetas rubras, talvez.
Então de subto, eu senti, e todo o olímpico sentiu comigo, sem sombra de duvidas: uma mudança. Sentia o vento no rosto! Surgia uma luz fraca, distante, talvez um sinalizador no outro lado do estádio, e como em resposta veio de longe uma outra nota. Bumbos, bumbos, bumbos. Ecoaram com força nas encostas desgastadas do monumental. Grandes bumbos do sul, num clangor alucinado.
Àquele som, as figuras curvadas na torcida de repente se aprumaram, eram altos e orgulhosos novamente e se levantado e pulando 50 mil gritaram em uni sonoro com uma voz poderosa, mais cristalina que qualquer um já ouvira uma multidão produzir antes.
Eram trinta e cinco minutos do segundo tempo quando, embalado por dezenas de milhares de vozes e milões de corações, o Léo abandona a zaga e corre veloz por toda a lateral do campo, entra na área e, sem muito ângulo, explode um chute na quina da trave, a bola sobe e vai cair no bico da grande área, mas antes que ela alcance o chão, Tcheco a encontra e em um chute magistral, tal qual somente quem joga pela honra de uma massa é capaz de chutar e abre o placar.
Então de subto, eu senti, e todo o olímpico sentiu comigo, sem sombra de duvidas: uma mudança. Sentia o vento no rosto! Surgia uma luz fraca, distante, talvez um sinalizador no outro lado do estádio, e como em resposta veio de longe uma outra nota. Bumbos, bumbos, bumbos. Ecoaram com força nas encostas desgastadas do monumental. Grandes bumbos do sul, num clangor alucinado.
Àquele som, as figuras curvadas na torcida de repente se aprumaram, eram altos e orgulhosos novamente e se levantado e pulando 50 mil gritaram em uni sonoro com uma voz poderosa, mais cristalina que qualquer um já ouvira uma multidão produzir antes.
Vamos Gremio vamos
Cantamos todos com a geral
Vamos seguir a canção
Sempre em busca do mundial
Eu sou do Gremio senhor
Cantamos todos com alegria
Mesmo não sendo campeão
O sentimento não se termina
É tricolor e dalhe tricolo
Não era mais um canto de apoio, não era mais um canto de guerra, era na verdade, nada mais nada menos que uma declaração de amor, de amor pelo Grêmio e por tudo que ele nos faz sentir, era um canto de 50 mil pessoas tão diferentes que durante 90 min são tão iguais. Se ouvia todas as partes do estadio cantando com coração e já não cantávamos pra os jogadores, cantávamos uns para os outros, afinal, somos nós que verdadeiramente somos o Grêmio.Cantamos todos com a geral
Vamos seguir a canção
Sempre em busca do mundial
Eu sou do Gremio senhor
Cantamos todos com alegria
Mesmo não sendo campeão
O sentimento não se termina
É tricolor e dalhe tricolo
Eram trinta e cinco minutos do segundo tempo quando, embalado por dezenas de milhares de vozes e milões de corações, o Léo abandona a zaga e corre veloz por toda a lateral do campo, entra na área e, sem muito ângulo, explode um chute na quina da trave, a bola sobe e vai cair no bico da grande área, mas antes que ela alcance o chão, Tcheco a encontra e em um chute magistral, tal qual somente quem joga pela honra de uma massa é capaz de chutar e abre o placar.
segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os judeus desempenharam um papel essencial na criação da mentalidade humana atual, seja ela judaica, cristã ou muçulmana, é quase impossível imaginar como teria sido o mundo sem o judaísmo. É fato que todos nós queremos construir Jerusalém. Todos nós nos deslocamos de volta às Cidades da Planície. Parece que o papel dos judeus é focalizar e dramatizar essas experiências comuns da humanidade, e transformar seu destino particular em uma moral universal. Porem, se os judeus detêm esse papel, quem o escreveu para eles?
Desde Abraão, o Errante; Moisés, o Legislador; Jesus, o enigmático Mestre; Maimônides, a maior das mentes medievais; Spinoza, o fundador do secularismo; Heine, o progenitor do espirito moderno; ate os gnósticos dos últimos tempos como Marx e Freud e os românticos como Disraeli e Herzl, as mulheres desde Sara e Rute a Rosa de Luxemburgo e Golda Meir, os criadores dos pensamentos, sons e imagens do século vinte, Mahler, Schoemberg, Kafka, Modigliani e Proust; e os rabinos e eruditos, os judeus da Corte, os Rotschilds e Sassoons, os mongóis de Hollywood, libertistas da Broadway, os gansters de Nova Iorque e pioneiros de Rand, os combatentes e estadistas. A verdade é que os judeus acreditaram ser um povo especial com tamanha unanimidade e paixão, e por tão longo período, que chegaram a sê-lo. Na realidade tiveram esse papel porque o escreveram para si próprios. Talvez ai esteja a chave de nossa história.
segunda-feira, 8 de junho de 2009

O sub-homem
Certa feita recebi um olhar que nunca saiu da minha cabeça, era um olhar de desprezo, um olhar raivoso, mas acima de tudo, era um olhar indiferente.
Eu fazia pré vestibular no anglo, no meu caso, não exatamente fazia, mas volta e meia aparecia lá. Eis que um dia, no intervalo, aparece um amigo meu, todo pintado, tinha passado no vestibular, pedia uns trocados, havia levado um violento trote, resolvi ajuda-lo, mas não dando moedas, pelo folclore, pela brincadeira, iria usar minha capacidade de equilibrar coisas girando para ajuda-lo na busca por trocados. Fui com ele atá a sinaleira e quando o sinal ficou vermelho comecei a girar meu caderno, enquanto isso, o pintado pedia dinheiro.
Foi quando olhei para os olhos do motorista de um dos carros que perdi o sorriso do rosto.
Era um olhar de desprezo, um olhar raivoso , mas acima de tudo, era um olhar indiferente. Aquele homem não olhou pra mim como um homem, mas como algo inferior a isso, como um empecilho no seu dia, como um buraco na estrada, os outros motoristas evitavam olhar para mim, eu era um sub homem.
Eu sempre fui altivo, ando de peito estufado, gosto de sapatos, pois fico com uma postura ainda mais imponente, me sinto muitas vezes, por mais que erradamente, no topo da pirâmide intelectual, social, porque não, alimentar, porém, durante aqueles minutos entre o sinal vermelho e o verde, fui visto como nunca havia sido antes, como um verme.
Hoje, dirigindo, quando vi um pedinte na sinaleira, olhei nos seus olhos e vi ,que mais triste do que sua pobreza, mais triste do que a sociedade que o gerou, do que a família péssima que ele teve, que seu histórico de drogas, mais triste até mesmo que a fome, era o seu olhar, o olhar de quem aceitou ser um sub homem, o olhar de quem recebe o dia inteiro, todos os dias, o olhar que tanto me marcou.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A tristeza, até certo ponto, não é só saudável, é essencial.
A verdade é que eu já escrevi muitos textos como esse aqui de baixo, alguns muito mais fortes em relação as minha angústias juvenis, mas sempre acabei por não postar, alias, eu tirei esse blog do meu perfil porque fico com vergonha de tornar tão públicos esses meus ensaios.
O fato é que, curiosamente, esse famigerado depósito on line teve mais acessos ontem que em qualquer outra ocasião, o que fez com que me sentisse como se observado nu, mas não tenho do que reclamar, eu postei.
Acho que uma das coisas mais incríveis do livro Retrato de Dorian Gray é a relação do pintor Basilio com o retrato que ele faz de Dorian. Depois de dias de meticulosa devoção, ele conclui o que julgou ser o melhor trabalho de sua vida e quando questionado a respeito da razão pela qual se recusava a expô-lo, Basilio respondeu “Senti, Dorian, que me havia expressado em demasia, que nele havia postado demasiado de mim mesmo. Foi quando resolvi não permitir jamais que o retrato fosse exposto.” É evidente que esse “expressado em demasia” de Basilio se refere à sua baitolisse e à sua devoção para com Dorian, mas eu também, assim como o pintor e grande parte da população mundial, tenho um pé atrás em expor o que julgo ser demasiado de mim mesmo.
Um adendo a respeito do texto aqui de baixo. Não é que eu esteja frustado com minha falta de banda, eu estava era frustado com a falta de perspectiva, cercado de amigos talentosos que admiro e me vendo ficar pra trás, mas como disse antes, a tristeza, até certo ponto, não é só saudável, é essencial.
Em ode à fascinante versatilidade da mente humana, o próximo texto, se é que vai existir, será alegre, afinal isso aqui não é nada mais nada menos que um depósito, onde entram risos e lágrimas.
PS.: Feliz Aniversário pequena.
A verdade é que eu já escrevi muitos textos como esse aqui de baixo, alguns muito mais fortes em relação as minha angústias juvenis, mas sempre acabei por não postar, alias, eu tirei esse blog do meu perfil porque fico com vergonha de tornar tão públicos esses meus ensaios.
O fato é que, curiosamente, esse famigerado depósito on line teve mais acessos ontem que em qualquer outra ocasião, o que fez com que me sentisse como se observado nu, mas não tenho do que reclamar, eu postei.
Acho que uma das coisas mais incríveis do livro Retrato de Dorian Gray é a relação do pintor Basilio com o retrato que ele faz de Dorian. Depois de dias de meticulosa devoção, ele conclui o que julgou ser o melhor trabalho de sua vida e quando questionado a respeito da razão pela qual se recusava a expô-lo, Basilio respondeu “Senti, Dorian, que me havia expressado em demasia, que nele havia postado demasiado de mim mesmo. Foi quando resolvi não permitir jamais que o retrato fosse exposto.” É evidente que esse “expressado em demasia” de Basilio se refere à sua baitolisse e à sua devoção para com Dorian, mas eu também, assim como o pintor e grande parte da população mundial, tenho um pé atrás em expor o que julgo ser demasiado de mim mesmo.
Um adendo a respeito do texto aqui de baixo. Não é que eu esteja frustado com minha falta de banda, eu estava era frustado com a falta de perspectiva, cercado de amigos talentosos que admiro e me vendo ficar pra trás, mas como disse antes, a tristeza, até certo ponto, não é só saudável, é essencial.
Em ode à fascinante versatilidade da mente humana, o próximo texto, se é que vai existir, será alegre, afinal isso aqui não é nada mais nada menos que um depósito, onde entram risos e lágrimas.
PS.: Feliz Aniversário pequena.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Diário
Hoje meu dia começou como a maioria deles, colocando a soneca do despertador pra frente umas quatro vezes, levantando de supetão, lavando a cara, tomando café e indo pra faculdade. Tive um elucidante primeiro período com a apresentação de um trabalho sobre litogravura. Poucas coisas no mundo podem me ser tão desinteressantes quanto aquelas que me forço a ouvir na faculdade todos os dias. O segundo período foi na área dos computadores, onde, em nome do bom senso, fingi estar fazendo algo de útil para meu grupo, acabei desenhando uns lances e dando umas ideias, o pessoal gostou, sou bom nisso, fingir.
Voltei pra casa, almocei com minha família, dormi, dormi, dormi e acordei quatro horas depois. É engraçado como quando se acorda cedo e se dorme bastante à tarde, parece haver dois dias distintos em um mesmo. Enfim, era quase cinco da tarde quando acordei. Apesar do caloroso convite de um amigo para beber e comer algo, acabei ficando em casa, onde ouvi musica, coisa que não fazia com calma a tempos, estou perdendo minha aptidão musical e junto com ela se vai o meu prazer em ouvir música, antes eu à respirava, hoje já me contento em ouvi-la as vezes.
Depois de algumas horas fui jogar basquete, foi bom, adoro esse esporte tão incomum aqui, depois de bater uma bola, tomei banho no Leon e fui pro show da Dingo Bells. No show estava a galera, dentre os quais alguns integrantes da banda vice-versos ( ou seja lá qual for o nome), o que me remeteu a minha brabeza/tristeza por não ter sido convidado pra ir pra Osório com a galera, mas era só coisa pra banda, até ai eu estava bem, fumamos um, bebemos uma cerveja, troquei uma idéia com um pessoal, ouvi o show, é notável como ele fica cada vez melhor, esses rapazes são bons e a música nova, a dos jornais, pareceu incrível. Ao termino do show, não sei o que deu em mim, talvez por algum comentário do Viktor, talvez pelo cansaço, talvez pela maconha, não sei pelo que, mas eu fiquei verdadeiramente triste, triste como não ficava a tempos.
Triste porque vi o show de uma banda da qual eu não faço parte, porque também não sou da banda que viaja pra Osório pra compor, porque a banda que eu tive me expulsou depois do primeiro show, porque não sou um jovem diretor talentoso acompanhado de mulheres bonitas, triste porque eu nunca subi em um palco e fui foda, porque sou a cara na multidão, sou o cabeça, um cara bacana, um cara mediócre, triste porque não tenho orgulho do que eu faço e porque não faço nada pra mudar isso, triste porque a mulher que eu quero mora alem mar, triste porque sou raso de mais, triste porque não toco bem como queria, não canto bem como queria, não escrevo bem como queria, não desenho bem como queria, mas principalmente, porque não tenho coragem e força de vontade como queria.
Voltei pra casa, almocei com minha família, dormi, dormi, dormi e acordei quatro horas depois. É engraçado como quando se acorda cedo e se dorme bastante à tarde, parece haver dois dias distintos em um mesmo. Enfim, era quase cinco da tarde quando acordei. Apesar do caloroso convite de um amigo para beber e comer algo, acabei ficando em casa, onde ouvi musica, coisa que não fazia com calma a tempos, estou perdendo minha aptidão musical e junto com ela se vai o meu prazer em ouvir música, antes eu à respirava, hoje já me contento em ouvi-la as vezes.
Depois de algumas horas fui jogar basquete, foi bom, adoro esse esporte tão incomum aqui, depois de bater uma bola, tomei banho no Leon e fui pro show da Dingo Bells. No show estava a galera, dentre os quais alguns integrantes da banda vice-versos ( ou seja lá qual for o nome), o que me remeteu a minha brabeza/tristeza por não ter sido convidado pra ir pra Osório com a galera, mas era só coisa pra banda, até ai eu estava bem, fumamos um, bebemos uma cerveja, troquei uma idéia com um pessoal, ouvi o show, é notável como ele fica cada vez melhor, esses rapazes são bons e a música nova, a dos jornais, pareceu incrível. Ao termino do show, não sei o que deu em mim, talvez por algum comentário do Viktor, talvez pelo cansaço, talvez pela maconha, não sei pelo que, mas eu fiquei verdadeiramente triste, triste como não ficava a tempos.
Triste porque vi o show de uma banda da qual eu não faço parte, porque também não sou da banda que viaja pra Osório pra compor, porque a banda que eu tive me expulsou depois do primeiro show, porque não sou um jovem diretor talentoso acompanhado de mulheres bonitas, triste porque eu nunca subi em um palco e fui foda, porque sou a cara na multidão, sou o cabeça, um cara bacana, um cara mediócre, triste porque não tenho orgulho do que eu faço e porque não faço nada pra mudar isso, triste porque a mulher que eu quero mora alem mar, triste porque sou raso de mais, triste porque não toco bem como queria, não canto bem como queria, não escrevo bem como queria, não desenho bem como queria, mas principalmente, porque não tenho coragem e força de vontade como queria.
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